(texto escrito há um tempo atraz, ou algo assim.)
A luz de um domingo entra pela janela, acompanhada de uma série de pensamentos sobre como as coisas devem acontecer. A perspectiva de uma vida toda pela frente toma um aspécto positivo, junto com a brisa desse novo dia.
É como se houvesse uma voz, que me contasse coisas, segredos sobre uma forma ideal de se viver, uma forma ideal de enxergar tudo isso… Há pouco pensei sobre o trabalho. O trabalho não tem tanto a ver com o que você faz, e sim como você faz. Talvez o homem mais feliz do mundo passe 8 horas por dia em um cubiculo 4×4m vendo números em planilhas, e passe outras duas horas em um onibûs lotado. Talvez ele simplesmente aprecie aquilo. Pode não ser o que ele esperava do seu futuro há alguns anos atras quando fez a faculdade, mas talvez o fato de existir, poder constatar as coisas, já seja argumento suficiente para sua felicidade.
Latidos de cachorros e o barulho de carros distantes passando. Chamar o domingo de Dia-do-Sol, como os norte-americanos fazem talvez seja uma decisão bem coerente. Isso é tudo o que um domingo deixa, uma tonalidade mais escura na pele, para nos lembrarmos da felicidade, nos momentos de tristeza. Esse é o seu legado.
O domingo é sempre cheio de rastros de sentimentos. Passar o domingo em casa é ver como as coisas ficam, depois que encontram um fim.
Algumas pessoas encontram seu fim ainda em vida, e isso é o tipo de coisa que deixa a gente chateado. Uma vez que você para, por completo, somente pode esperar que algo se choque em você. Como aquelas pessoas que depois de 20 anos no mesmo trabalho perdem um filho e passam o resto da vida em uma Harley bebendo e sentindo o vento de domingo passar pelo rosto. Eles construiram o que desejavam, fizeram como deveria ser feito, e agora estava tudo acabava, só o que restava, era ele, e todo o resto do mundo.