DRAMIN – IV

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As paredes mofadas foram voltando aos poucos. Demorou um tempo pra ele lembrar onde estava, ou por que estava, como sempre acontece com quem acorda sempre em lugares diferentes. Quando foi passar as mãos nos olhos pode sentir areia raspando no rosto, mesmo assim não se deixou abalar, tudo estava em ordem, sempre.
Levantou e caminhou em direção a sala, na escuridão, bateu a mão no interruptor e olhou em volta. Lá estava, a casca de banana marrom e toda a realidade de que ele não queria se lembrar. Foram segundos, pesados e vagarosos, que conforme se arrastavam traziam consigo a consciência de Vitor, e um desejo de outro dramin.
-Você ainda está ai? – ele perguntou. Mas sabia que Ele estava.
Andou até o canto da sala, onde uma parede encontrava com a outra, e lá sentou e permaneceu por outro longo periodo de tempo cheio de outra sequência de segundos pesados. Sua mente ia vagarosamente caminhando por um mundo de pensamentos, se lembrando de quantas coisas haviam acontecido, tentando descobrir quanto tempo havia passado ou somente se perdendo em pensamentos que só serviam para auto-flagelação. Quando estava perto de chegar à algum pensamento que de alguma forma ele sabia que seria relevante, ouviu A voz:
-Então, quer conversar, ao meu modo dessa vez?
-Você é um tanto quanto previsível, sabia? -disse vitor, levantando os olhos e vendo mais uma vez Ele.
-É. – Ele estava segurando uma folha de papel, voltou seus olhos para a olha – Sabe, ficou realmente bom isso… que você escreveu.
-Chega de truques! Vá logo ao ponto!
-Tá, vamos dar uma volta, ajuda a organizar os pensamentos.

Quando ele se deu por si, já havia saido do prédio e estava acompanhado pelo homem de chapéu, indo em direção à um dia surpreendentemente ensolarado.
-Então… você é Deus?
-Sim.
Ele coçou o queixo, enquanto passavam pela portade saida do prédio, pensando na próxima pergunta… mas ela não veio.
-As vezes as coisas cansam, por mais que sejam belas. -disse o estranho de chapéu.
Vitor olhou para ele, surpreso. Mensurou se seria uma boa idéia perguntar sobre o que ele estava falando, e chegou a conclusão que poderia ser bem divertido.
-Se refere a criação e toda essa coisa?
-Também. Na verdade estava falando sobre coisas que simplesmente existem, independente do que façamos… nisso, se inclui a criação.
-Ah… sim, entendo.
Eles continuaram andando. Vitor não viu bem como, mas eles haviam caminhado até um parque, ensolarado e cheio de pessoas.
-Você quer me dizer algo? – disse Vitor, depois de algum tempo.
-Sim, eu preciso. Mas antes você tem que compreender algumas coisas sobre o universo, da onde surgiu tudo o que você conhece, entre coisas. – Ele sorriu. Foi natural, continha felicidade, e continha compaixão… Talvez se você fosse uma pessoa experiente o suficiente, também veria amor.
Seu rosto adquiriu um tom sério, e então ele se pôs a discursar, com palavras que pareciam vir da mente de vitor para a boca de deus, para então voltarem para os ouvidos de Vitor:
-tudo o que existe, incluindo você, Vitor, veio de mim, e existe por mim. Toda a criação só existe, e continua existindo porque Eu existo. Há muitas formas de olhar a situação, em uma delas, eu sou ferramenta da criação. Ela, Me usa, e não o contrário. Isso é uma verdade,  mas existem outras.
Ele caminhou em direção a um sorveteiro, Vitor o seguiu, ele se aproximou do sorveteiro e o sorveteiro tirou de seu carrinho dois sorvetes de limão. Deus, pôs a mão no bolso com suavidade e tirou dinheiro, mas imediatamente o sorveteiro fez que ‘não’ com as mãos e disse: “não precisa pagar”. Continuam o passeio, ele deu um sorvete de limão à Vitor. [tinha gosto de sorvete de limão, como deveria ser, caso você esteja interessado.]
Ele sabia que ele queria que fizesse perguntas do tipo “qual o sentido da vida” ou “é verdade que você criou tudo isso em sete dias” mas ao invés disso perguntou a única coisa que realmente ele queria saber [da única forma que sabia perguntar]:
-Caralho… toda noite que eu deito na cama eu não sei pelo que esperar… Cada vez passo períodos em lugares diferentes. Batalhas épicas, encontros amorosos, ou até lugares identicos à esse; e depois de meses em outra realidade eu tenho que voltar pra cá. Não sei se você faz isso pra se divertir, pra passar o tempo, e também não me importo, mas se der pra parar… – os olhos de vitos se encheram de água, pela primeira vez, ele teve a sensação de que havia conseguido falar tudo o que estava pensando para alguém, e que esse alguém havia entendido, pois, ele abaixou a cabeça e fitou algo muito distante sobre seus pés, fez a cara que as pessoas fazem quando ouvem uma esperiencia pela qual já passaram. 

 

[*trabalhando no post*]

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